20110715

* A VITÓRIA DA VITÓRIA

* 
    Welington Almeida Pinto

                                                             Festa de Formatura


No Brasil, colar grau é uma tradição que se comemora com muita pompa; bacharéis vestidos com a velha e tão sonhada beca, todos disciplinadamente perfilados no palco. Ao lado, as celebridades que não podem faltar à cerimônia: padrinhos, professores eméritos e o reitor da Universidade.
A festa começa cheia de apresentações e excesso de vaidade no contexto dos discursos. Dos alunos oradores. Dos Padrinhos. Todos curtos mas, mesmo assim, houve gente assoviando entre os espectadores como se estivesse querendo dizer: – Que coisa mais démodé!... Já estamos cansados desse expediente!...
Antes do reitor, professor Newton Paiva, se levantar para fazer o discurso de encerramento a platéia foi sutilmente advertida pelo burburinho. Ele, então, empunhou cerca de meia dúzia de folhas de papel escritas e foi logo enaltecendo a capacitação dos profissionais que formam em sua instituição de ensino superior. Depois teceu uma longa e demorada crítica à corrupção que impera nos três poderes do Brasil, numa tentativa de conscientizar a todos que é necessário formar cidadãos de brio e que, essa é uma função das boas escolas.  Por fim, elevou suas palavras a Deus, pedindo proteção a todos aqueles que ali estavam prontos para entrar no mercado de trabalho. Vão precisar, claro. Mas, como dizem os árabes: confie em Deus, mas amarre seu camelo.
Tudo como manda o figurino. Mas um fato deu outro tom à solenidade quando a orquestra da própria Universidade abriu sua apresentação com a canção de Milton Nascimento: “Eu caçador de mim”.  Em seguida, para a surpresa de todos, o maestro detona a batuta na apresentação de uma música de discoteca, lá dos tempos trepidantes de Travolta. Ah!... uma explosão de alegria no auditório. Tanto no palco como na platéia, ninguém resistiu às tentações da balada e, cada um no seu lugar, entrou no ritmo da ária dos tempos da brilhantina. Legal. Tudo reflete e tudo dança... literalmente.
No momento da entrega dos canudos, ao ver minha filha recebendo o certificado de conclusão do curso de Fisioterapia fiquei mais emocionado do que imaginava. Era a confirmação de sua capacidade para ingressar numa área de prestação de serviços que se pauta pelos conhecimentos, pela dedicação e, sobretudo, pelo humanismo. Puts! A emoção bateu mais forte ainda, seguida de mais brilho nos olhos, mais aperto na garganta e uma explosão incomum no peito... E pensei em voz alta: - Ô, filha, que Deus lhe dê humildade para aprender sempre. E assim, cheia de sabedoria, possa levar, cada vez mais, o conforto da cura aos seus pacientes.
Maria Vitória. Mais uma mulher que vai exercer seu papel cada vez mais engajado em todos os setores sociais do país, lembrando que o movimento feminino eclodiu com força total no ano de 1968, quando jovens do mundo todo, através de protestos e rupturas, conseguiram fazer a maior revolução cultural da história da humanidade. A partir daquele ano transformaram os costumes e os hábitos. A maneira de pensar também mudou. E de ser, idem. Hoje, estamos colhendo os frutos vitoriosamente compensados.
Por isso, obrigado a todos que torcem para que ela e todas essas mulheres encontrem seu espaço num mundo profissional em igualdade de condições.


FBN© 2008 * VITÓRIA DA VITÓRIA - Categoria: crônica. Autor: Welington Almeida Pinto  – especialmente para minha filha Maria Vitória Ferreira Pinto – www.cronicasgeraes.blogspot.com